O salário mínimo nacional deverá subir de 920€ para 970€ em 2027, conforme o Acordo Tripartido de Valorização Salarial 2025-2028 assinado em outubro de 2024. O Governo admitiu, porém, ir além do acordado — o Primeiro-Ministro não exclui 1.000€ — enquanto as confederações patronais defendem manter os 970€. O valor final será fixado com o Orçamento do Estado para 2027, apresentado em outubro de 2026, e formalizado por decreto-lei até dezembro, entrando em vigor a 1 de janeiro de 2027.
O que está acordado — e o que está em discussão
O acordo de concertação social de outubro de 2024 traçou a trajetória plurianual do salário mínimo:
| Ano | Valor acordado | Estado |
|---|---|---|
| 2025 | 870€ | Cumprido |
| 2026 | 920€ | Em vigor |
| 2027 | 970€ | Previsto — decisão no OE2027 |
| 2028 | 1.020€ | Previsto |
Em 2026, membros do Governo admitiram publicamente ir além dos 970€ — chegou a falar-se em 1.000€ já em 2027 — enquanto as confederações patronais recusam ultrapassar o acordado e economistas alertam para a compressão salarial (a aproximação entre o salário mínimo e os salários médios e qualificados). Até haver decreto-lei, 970€ é o único valor com suporte formal.
970€ em 2027: quanto fica líquido?
Com as regras atuais, um trabalhador com salário mínimo desconta 11% para a Segurança Social e não sofre retenção de IRS. A conta com 970€:
- Segurança Social (11%): -106,70€
- Líquido estimado: 863,30€/mês (×14 meses = 12.086€/ano)
Nota: as tabelas de retenção de 2027 só são publicadas em dezembro de 2026 — mas o salário mínimo tem ficado sistematicamente isento de retenção. Compare com o caso de 2026 no nosso artigo salário mínimo 2026: 920€ brutos = 818,80€ líquidos.
Quanto custa às empresas?
Para o empregador, o salário mínimo não custa 970€ — custa 970€ + 23,75% de TSU, mais seguro de acidentes de trabalho e subsídio de alimentação:
| 2026 (920€) | 2027 (970€) | Variação | |
|---|---|---|---|
| Salário bruto mensal | 920,00€ | 970,00€ | +50,00€ |
| TSU empresa (23,75%) | 218,50€ | 230,38€ | +11,88€ |
| Custo mensal (×14 no ano) | 1.138,50€ | 1.200,38€ | +61,88€ |
| Custo anual | 15.939€ | 16.805€ | +866€ (+5,4%) |
Num cenário de 1.000€, o custo anual sobe para ≈17.325€ — mais 1.386€ por trabalhador face a 2026. Faça as contas à sua equipa com o simulador de custo de contratação e reveja o custo do trabalhador ao salário mínimo em 2026.
O que devem as empresas preparar já
- Orçamento 2027 — orçamentar com 970€ no cenário base e 1.000€ no cenário pessimista;
- Tabelas salariais — quem paga hoje 950€–1.050€ vai sentir compressão: prever ajustes acima do mínimo para manter diferenciais;
- CCT do setor — várias convenções têm mínimos próprios acima do SMN que também serão renegociados;
- Preços e margens — setores intensivos em mão de obra (restauração, limpeza, comércio) devem refletir o aumento nos preços de 2027, não absorvê-lo à última hora.
Se quiser um cenário feito à medida da sua folha salarial, fale connosco — é o trabalho que fazemos como CFO externo de dezenas de PMEs.
Perguntas frequentes
Qual vai ser o salário mínimo em 2027?
O acordo de concertação social prevê 970€. O Governo admitiu ir além — falou-se em 1.000€ — mas o valor final só é fixado por decreto-lei no final de 2026, com efeitos a 1 de janeiro de 2027.
Quando é tomada a decisão final?
Com o Orçamento do Estado para 2027 (proposta apresentada em outubro de 2026) e o decreto-lei publicado tipicamente em novembro/dezembro, após consulta à Concertação Social.
Quanto fica líquido um salário de 970€?
Cerca de 863,30€ por mês: 970€ menos 11% de Segurança Social (106,70€), sem retenção de IRS com as regras atuais. As tabelas de retenção de 2027 são publicadas em dezembro de 2026.
Quanto custa um trabalhador ao salário mínimo à empresa em 2027?
Com 970€, cerca de 1.200€ por mês (com TSU de 23,75%) e 16.805€ por ano em 14 meses — mais 866€ do que em 2026, sem contar seguro de acidentes de trabalho e subsídio de alimentação.
O salário mínimo pode mesmo chegar aos 1.000€ em 2027?
É possível mas não está decidido: o Governo mostrou abertura, os patrões opõem-se e o acordo em vigor prevê 970€. A confirmação só virá com o OE2027 e o decreto-lei de dezembro de 2026.