Códigos CAE 2026: O Que São, Como Consultar e Como Escolher (com Exemplos)

Por Hugo Ribeiro, Contabilista Certificado · Membro da Ordem dos Contabilistas Certificados · HVR Business Consulting

Códigos CAE 2026: O Que São, Como Consultar e Como Escolher (com Exemplos Práticos e Referências Legais)

O CAE — Classificação Portuguesa de Atividades Económicas é um código numérico (5 dígitos) que identifica a atividade económica principal e secundárias que uma empresa ou trabalhador independente exerce em Portugal. É um elemento fulcral atribuído no início de atividade e que determina, de forma inequívoca, o enquadramento fiscal, as obrigações declarativas e contributivas, bem como o acesso a apoios e incentivos financeiros. Cada entidade possui um CAE principal, que deve refletir a sua atividade predominante, e pode ter um ou vários CAE secundários, que espelham atividades complementares ou acessórias desenvolvidas.

O Que é o CAE e a Sua Importância Estratégica

O CAE funciona como o "cartão de identidade" económico de qualquer entidade perante o Estado português e outras instituições. É a forma como o Estado classifica e organiza o tecido empresarial e profissional do país. A sua relevância estende-se a diversas esferas da administração pública e privada, sendo utilizado pela Autoridade Tributária e Aduaneira (AT), pela Segurança Social, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e por inúmeras entidades de licenciamento, financiamento e apoio ao investimento. A estrutura do código CAE resulta da Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE Rev.3), que está harmonizada e alinhada com a classificação europeia NACE (Nomenclature des Activités Économiques), garantindo comparabilidade estatística a nível internacional.

A escolha e manutenção do CAE correto não é apenas um requisito burocrático, mas uma decisão estratégica com implicações diretas na vida de qualquer negócio. Um CAE mal escolhido ou desatualizado pode levar a penalizações fiscais, perda de elegibilidade para apoios e dificuldades no acesso a crédito ou licenciamentos.

Estrutura e Níveis do Código CAE Português

O CAE português, na sua versão atual (CAE Rev.3), é composto por 5 dígitos e segue uma estrutura hierárquica que vai do mais geral ao mais específico, permitindo uma granularidade detalhada na classificação das atividades. Esta estrutura é fundamental para compreender a lógica por detrás da atribuição dos códigos.

Nível de Classificação Descrição Exemplo (CAE 68100)
Secção (Letra) Representa o nível mais macro, agrupando grandes setores de atividade económica. Existem 21 secções (A a U). L — Atividades Imobiliárias
Divisão (2 dígitos) Desdobra as secções em agrupamentos mais específicos de atividades. 68 — Atividades Imobiliárias
Grupo (3 dígitos) Subdivide as divisões em atividades ainda mais pormenorizadas. 681 — Compra e Venda de Bens Imobiliários
Classe (4 dígitos) Detalha os grupos em categorias mais específicas. 6810 — Compra e Venda de Bens Imobiliários
Subclasse (5 dígitos) É o nível mais detalhado da classificação, identificando a atividade económica específica. É este o código completo utilizado para fins fiscais e administrativos. 68100 — Compra e Venda de Bens Imobiliários

Esta hierarquia permite que o Estado e outras entidades possam realizar análises estatísticas e setoriais com diferentes níveis de agregação, desde a visão global de um setor (Secção) até à atividade específica de uma empresa (Subclasse).

Onde o CAE Importa: Implicações Práticas e Legais

A escolha correta do CAE tem um impacto profundo e multifacetado na vida de qualquer empresa ou profissional independente. As suas implicações estendem-se por diversas áreas, desde a fiscalidade até ao acesso a financiamentos e licenciamentos.

  • Fiscalidade
    • Enquadramento em IVA e IRC/IRS: O CAE é determinante para o enquadramento em regimes de IVA (regime normal, isenção ao abrigo do Art.º 53 do CIVA para volumes de negócios reduzidos, etc.) e para o apuramento de IRC para empresas ou IRS para trabalhadores independentes. Por exemplo, certas atividades podem beneficiar de regimes fiscais especiais ou ter taxas de IVA diferenciadas (Art.º 18.º do CIVA).
    • Coeficientes do Regime Simplificado: Para trabalhadores independentes e empresas no regime simplificado de IRS/IRC, o CAE define os coeficientes de tributação aplicáveis para a determinação do rendimento tributável (Art.º 31.º do CIRS para independentes, e Art.º 58.º-A do CIRC para empresas). Atividades de prestação de serviços, por exemplo, podem ter um coeficiente diferente das atividades de vendas de bens.
    • Tributações Específicas: Algumas atividades estão sujeitas a tributações específicas ou a deduções particulares que dependem do CAE. Por exemplo, atividades de alojamento local (CAE 55201) têm um regime fiscal distinto.
  • Licenciamento e Regulamentação
    • Muitas atividades económicas em Portugal exigem licenças, autorizações ou o cumprimento de requisitos específicos antes de poderem ser exercidas. O CAE é o primeiro filtro para identificar estas obrigações. Por exemplo, um CAE ligado à restauração (e.g., 56101 – Restaurantes tipo tradicional) exigirá licenciamento da ASAE, cumprimento de normas de higiene e segurança alimentar, e autorizações da Câmara Municipal. Já uma atividade de consultoria (e.g., 70220) tem requisitos de licenciamento muito mais simplificados.
  • Apoios e Fundos Comunitários/Nacionais
    • A elegibilidade para muitos incentivos e programas de apoio, como os fundos do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), Portugal 2030 ou outros fundos europeus estruturais e de investimento, está frequentemente condicionada ao CAE da empresa. Projetos de inovação ou transição digital, por exemplo, podem ser restritos a empresas com CAE específicos em setores considerados estratégicos. A ausência do CAE correto impede o acesso a estes apoios, que podem ser cruciais para o crescimento e desenvolvimento do negócio.
  • Estatística, Crédito e Relações Comerciais
    • Bancos, instituições financeiras e o Instituto Nacional de Estatística (INE) utilizam o CAE para análise setorial, avaliação de risco e concessão de crédito. Um CAE que reflita fielmente a atividade da empresa confere maior credibilidade e transparência. Além disso, em relações comerciais, o CAE pode ser um indicador importante para parceiros e fornecedores avaliarem a natureza do negócio.
  • Segurança Social
    • Apesar de o enquadramento na Segurança Social ser primariamente determinado pela natureza da atividade (trabalhador independente, sócio-gerente, etc.), o CAE pode influenciar certas contribuições ou o acesso a apoios sociais específicos para determinados setores de atividade.

Como Consultar o CAE de uma Empresa ou Atividade Própria

É fundamental que empresas e profissionais independentes saibam como consultar o seu próprio CAE ou o CAE de outras entidades. Existem várias formas para o fazer, dependendo do objetivo da consulta:

  • Portal das Finanças (Situação Cadastral): Para consultar o seu próprio CAE (ou o da sua empresa), aceda ao Portal das Finanças com as suas credenciais. Na área pessoal/empresarial, procure pela opção "Dados Cadastrais" ou "Situação Cadastral". Aí encontrará o CAE principal e os eventuais CAE secundários registados.
  • Certidão Permanente do Registo Comercial: Para empresas com registo comercial, a Certidão Permanente é um documento oficial que contém toda a informação relevante sobre a empresa, incluindo os seus CAE. Pode ser solicitada online através do portal ePortugal, mediante o pagamento de uma taxa. É uma fonte fidedigna para verificar o CAE de qualquer empresa registada.
  • Comprovativo de Início/Alteração de Atividade: No momento de abertura de atividade (para trabalhadores independentes) ou de constituição de empresa, é entregue uma declaração de início de atividade nas Finanças. Este documento, bem como as declarações de alteração de atividade, discriminam os CAE registados. É um documento que deve ser guardado com cuidado.
  • Base de Dados do INE: O Instituto Nacional de Estatística disponibiliza online a Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE Rev.3) completa, onde é possível pesquisar e consultar os códigos e as suas descrições. Embora não forneça o CAE de uma empresa específica, é útil para compreender as opções e escolher o código mais adequado.
  • Contactar o Contabilista Certificado: O contabilista certificado é o profissional mais indicado para confirmar e, se necessário, alterar o CAE de uma entidade. Tem acesso aos dados fiscais dos seus clientes e o conhecimento técnico para aconselhar sobre a melhor classificação.

A Escolha e Gestão Estratégica do CAE

Escolher o CAE correto é uma das decisões mais importantes no início de qualquer atividade económica e deve ser revista sempre que o negócio evolui. O CAE deve refletir a atividade económica efetivamente exercida, tanto a principal como as secundárias.

Critérios para a Escolha do CAE Principal e Secundários

  • Fidelidade à Atividade: O CAE principal deve representar a atividade que gera a maior parte do valor acrescentado bruto da empresa ou do rendimento do profissional independente. Os CAE secundários devem cobrir todas as outras atividades relevantes, mesmo que complementares.
  • Abrangência Adequada: Evitar CAE demasiado genéricos que possam não qualificar para apoios específicos, ou demasiado restritivos que não cubram todas as áreas de atuação.
  • Consulta da Tabela CAE: É crucial consultar a Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE Rev.3) no site do INE para entender as descrições de cada código. A descrição detalhada é essencial para evitar interpretações erradas.
  • Previsão de Atividades Futuras: Se houver planos para diversificar o negócio num futuro próximo, pode ser prudente já incluir os CAE correspondentes como secundários, evitando burocracias futuras.

Exemplos de CAE Comuns e as Suas Implicações

  • 68100 — Compra e venda de bens imobiliários: Implicações fiscais específicas para o setor imobiliário, como o Imposto Municipal sobre as Transmissões Onerosas de Imóveis (IMT) e Imposto do Selo, e enquadramento em regimes de IVA.
  • 68200 — Arrendamento de bens imobiliários: Relevante para atividades de alojamento local (embora existam CAE mais específicos como 55201) e arrendamento de longa duração, com regimes de tributação de rendas.
  • 62010 — Atividades de programação informática: Frequentemente associado a profissionais independentes e startups de base tecnológica, podendo beneficiar de regimes fiscais para inovação.
  • 70220 — Consultoria para os negócios e a gestão: Um CAE bastante comum para prestadores de serviços, com implicações no regime simplificado de IRS/IRC (coeficiente de 75% sobre serviços, Art.º 31.º do CIRS).
  • 56101 — Restaurantes tipo tradicional: Exige licenciamento sanitário e municipal rigoroso, e tem implicações no IVA (taxas reduzidas para alimentos e bebidas).
  • 41200 — Construção de edifícios: Requer alvará de construção, seguros de responsabilidade civil e cumprimento de normas de segurança no trabalho.

Erros Comuns a Evitar na Escolha e Gestão do CAE

A escolha e gestão do CAE é um processo que, por vezes, é desvalorizado, mas que pode ter consequências significativas se não for tratado com a devida atenção. Erros comuns incluem:

  • Escolher um CAE Demasiado Genérico: Optar por um código muito abrangente pode levar a que a empresa não seja elegível para apoios setoriais específicos ou que a sua atividade não seja corretamente compreendida por entidades financeiras ou reguladoras. Por exemplo, escolher um CAE genérico de "Outras atividades de serviços" em vez de um específico para "Desenvolvimento de software" pode limitar o acesso a incentivos para a inovação.
  • Omissão de CAE Secundários Relevantes: Empresas que exercem várias atividades devem ter todos os seus CAE registados. Faturar serviços ou produtos que não estão cobertos por nenhum CAE registado pode levantar questões junto da AT e, em casos extremos, ser interpretado como atividade ilegal ou não declarada, levando a coimas.
  • CAE Incorreto para o Regime Fiscal: Algumas atividades têm regimes fiscais específicos ou coeficientes de apuramento de rendimento distintos. Um CAE errado pode resultar num enquadramento fiscal desfavorável ou na perda de benefícios fiscais. Por exemplo, atividades de alojamento local (CAE 55201) têm um regime simplificado mais vantajoso que o arrendamento tradicional (CAE 68200) para certas situações.
  • Não Atualizar o CAE com a Evolução do Negócio: As empresas evoluem, e as suas atividades podem mudar. Não atualizar o CAE quando há uma alteração significativa no core business ou na introdução de novas linhas de negócio pode levar a desalinhamentos fiscais e regulatórios.
  • Desconhecimento dos Requisitos de Licenciamento Associados: Cada CAE pode trazer consigo um conjunto de requisitos legais e de licenciamento. Não verificar estes requisitos antes de iniciar a atividade pode resultar em multas, encerramento da atividade ou dificuldades na obtenção de autorizações.
  • Dependência Exclusiva do Contabilista sem Validação Interna: Embora o contabilista seja fundamental, a responsabilidade final pelo CAE é da empresa. É crucial que o empresário compreenda os códigos escolhidos e valide se estes correspondem à realidade do seu negócio.
  • Não Consultar a Tabela CAE Detalhadamente: Muitas vezes, escolhe-se um CAE apenas pela descrição curta. É fundamental consultar a descrição completa no INE para garantir que a atividade se enquadra perfeitamente, evitando ambiguidades.

Exemplos Práticos e Cálculos Numéricos

Exemplo 1: Coeficiente de Tributação no Regime Simplificado (Trabalhador Independente)

Considere um trabalhador independente sujeito ao regime simplificado de IRS, que aufere rendimentos da categoria B.

  • Cenário A: Consultor de Gestão (CAE 70220)
    • Atividade: Prestação de serviços de consultoria.
    • Rendimentos Brutos Anuais: 30.000,00 €.
    • Coeficiente de Tributação (Art.º 31.º, n.º 1, alínea b) do CIRS): Para prestação de serviços, o coeficiente é de 0,75.
    • Rendimento Tributável: 30.000,00 € x 0,75 = 22.500,00 €.
    • Implicação: A tributação de IRS incidirá sobre 22.500,00 €, acrescido de eventuais rendimentos de outras categorias.
  • Cenário B: Vendedor de Produtos Online (CAE 47910 - Comércio a retalho por correspondência ou via Internet)
    • Atividade: Venda de bens através de uma plataforma online.
    • Rendimentos Brutos Anuais: 30.000,00 €.
    • Coeficiente de Tributação (Art.º 31.º, n.º 1, alínea a) do CIRS): Para vendas de bens e produtos, o coeficiente é de 0,15.
    • Rendimento Tributável: 30.000,00 € x 0,15 = 4.500,00 €.
    • Implicação: A tributação de IRS incidirá sobre 4.500,00 €. A diferença no rendimento tributável é substancial devido ao CAE.

Conclusão: A escolha do CAE correto é crucial para determinar a base de incidência do IRS no regime simplificado, podendo gerar uma diferença significativa no imposto a pagar.

Exemplo 2: Elegibilidade para Apoios e Incentivos (Empresa)

Uma empresa pretende candidatar-se a um programa de incentivos à inovação e digitalização, cofinanciado por fundos europeus, que oferece uma taxa de incentivo de 50% sobre despesas elegíveis até um limite de 100.000,00 €.

  • Cenário A: Empresa de Desenvolvimento de Software (CAE 62010 - Atividades de programação informática)
    • Atividade: Desenvolvimento de software inovador.
    • Requisito do Programa: Ser uma PME com CAE na área da tecnologia e inovação (ex: secção J - Informação e Comunicação).
    • Elegibilidade: O CAE 62010 enquadra-se perfeitamente nos requisitos do programa.
    • Despesas Elegíveis: 80.000,00 € (aquisição de software, consultoria em I&D, formação).
    • Incentivo Recebido: 80.000,00 € x 0,50 = 40.000,00 €.
  • Cenário B: Empresa de Serviços Administrativos Genéricos (CAE 82110 - Atividades combinadas de serviços administrativos de escritório)
    • Atividade: Prestação de serviços de secretariado e apoio administrativo.
    • Requisito do Programa: O mesmo do Cenário A.
    • Elegibilidade: O CAE 82110 não se enquadra nos setores prioritários de tecnologia e inovação definidos pelo programa.
    • Despesas Elegíveis: 80.000,00 €.
    • Incentivo Recebido: 0,00 €.

Conclusão: Um CAE alinhado com as prioridades dos programas de incentivo é um fator crítico de elegibilidade, podendo representar a diferença entre aceder a financiamento significativo ou ficar excluído.

Exemplo 3: Enquadramento em IVA (Empresa)

Uma empresa presta serviços de formação profissional.

  • Cenário A: Formação Profissional Certificada (CAE 85591 - Formação profissional)
    • Atividade: Prestação de serviços de formação profissional reconhecida por entidades competentes.
    • Implicação Fiscal (Art.º 9.º, n.º 10 do CIVA): As prestações de serviços de formação profissional, efetuadas por organismos reconhecidos, são isentas de IVA.
    • Faturação: 10.000,00 € (sem IVA).
    • Vantagem: Preços mais competitivos (não acresce IVA) e simplificação administrativa (dispensa de liquidação e entrega de IVA).
  • Cenário B: Formação Não Certificada ou Consultoria (CAE 70220 - Consultoria para os negócios e a gestão)
    • Atividade: Prestação de serviços de consultoria com um componente formativo informal, não certificada.
    • Implicação Fiscal (Art.º 9.º do CIVA): Esta atividade não beneficia da isenção do Art.º 9.º, n.º 10 do CIVA, sendo sujeita à taxa normal de IVA (23% em Portugal Continental).
    • Faturação: 10.000,00 € + 23% IVA = 12.300,00 €.
    • Desvantagem: O preço final para o cliente é mais elevado (se este não puder deduzir o IVA) e a empresa tem obrigações de liquidação e entrega de IVA.

Conclusão: O CAE e a natureza exata da atividade podem determinar se uma empresa está isenta ou sujeita a IVA, com impacto direto na sua competitividade e nas suas obrigações fiscais.

Perguntas Frequentes sobre o CAE

O que é o CAE de uma empresa?

É o código de 5 dígitos da Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE Rev.3) que identifica a atividade económica principal e as atividades secundárias que a empresa ou profissional independente exerce. É uma ferramenta essencial utilizada pela Autoridade Tributária, Segurança Social, INE e entidades de licenciamento para classificar e regulamentar o tecido económico.

Como saber o CAE de uma empresa?

Pode consultar o seu próprio CAE no Portal das Finanças (na situação cadastral) ou no comprovativo de início de atividade. Para consultar o CAE de outra empresa, pode solicitar a Certidão Permanente do registo comercial da empresa. O seu contabilista certificado também terá acesso a esta informação e pode confirmá-la.

O que é o CAE 68100?

O CAE 68100 corresponde à atividade de "Compra e venda de bens imobiliários". Insere-se na divisão 68 – Atividades imobiliárias, e na secção L – Atividades Imobiliárias. É um código fundamental para empresas e profissionais que atuam no mercado de transações de imóveis.

Posso ter mais do que um CAE?

Sim. Cada entidade deve ter um CAE principal, que representa a sua atividade predominante. Adicionalmente, pode ter vários CAE secundários, que identificam outras atividades económicas relevantes que a empresa ou profissional independente também exerce. É crucial que todos os CAE que correspondam a atividades efetivamente exercidas estejam devidamente registados.

Posso mudar o CAE depois de abrir atividade?

Sim, o CAE pode e deve ser alterado sempre que a atividade principal da empresa mude ou quando novas atividades secundárias relevantes sejam iniciadas. A alteração é feita através da entrega de uma declaração de alterações nas Finanças (Mod. 03 para pessoas singulares ou Mod. 01 para pessoas coletivas), normalmente tratada pelo contabilista certificado. É importante que esta alteração seja célere para garantir o enquadramento fiscal e legal correto.

Qual a diferença entre CAE Principal e Secundário?

O CAE principal deve corresponder à atividade que gera a maior parte do valor acrescentado bruto ou do volume de negócios da empresa. Os CAE secundários abrangem todas as outras atividades económicas relevantes que a empresa ou profissional independente exerce. Ambos são importantes para o enquadramento fiscal e para o acesso a apoios, mas o principal é o que define o setor de atuação primário da entidade.

Como a HVR Business Consulting Ajuda na Gestão do Seu CAE

Na HVR Business Consulting, compreendemos a complexidade e a importância estratégica de uma correta gestão do CAE. A nossa equipa de especialistas em contabilidade e fiscalidade oferece um suporte abrangente para garantir que a sua empresa ou atividade independente esteja sempre devidamente enquadrada.

  • Validação e Escolha do CAE: No início da sua atividade, ou aquando de restruturações, analisamos em profundidade o seu modelo de negócio para identificar e validar o CAE principal e os CAE secundários mais adequados, assegurando que refletem fidedignamente as suas operações e otimizam o seu enquadramento fiscal.
  • Acompanhamento e Ajuste Contínuo: À medida que o seu negócio evolui, expande-se para novas áreas ou altera o seu foco, monitorizamos a necessidade de atualização dos seus CAE, tratando de todas as declarações de alterações junto das Finanças.
  • Otimização Fiscal e Acesso a Apoios: Um CAE bem selecionado é a chave para um enquadramento fiscal correto e para a elegibilidade a diversos incentivos e programas de financiamento (nacionais e europeus). Aconselhamos sobre as melhores opções para maximizar os benefícios fiscais e as oportunidades de apoio à sua empresa.
  • Conformidade Legal: Garantimos que os seus CAE estão em conformidade com a legislação em vigor, evitando riscos de penalizações e assegurando um funcionamento legal e transparente da sua atividade.

Não deixe que a complexidade dos códigos CAE se torne um obstáculo ao seu sucesso. Conte com a HVR Business Consulting para uma gestão profissional e estratégica do seu enquadramento económico. Veja os nossos serviços de contabilidade e descubra como podemos ser o seu parceiro de confiança.

Conclusão: A Importância da Gestão Proativa do CAE

A Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE) é muito mais do que um mero código burocrático; é um pilar fundamental na gestão e no sucesso de qualquer empresa ou atividade profissional em Portugal. A sua correta escolha e atualização contínua têm implicações diretas e profundas em domínios críticos como a fiscalidade, o acesso a apoios e incentivos, o cumprimento de requisitos de licenciamento e a própria perceção do negócio por parte de parceiros e instituições financeiras.

Uma gestão proativa do CAE permite não só evitar erros e penalizações fiscais, mas também otimizar o enquadramento do negócio, aceder a oportunidades de financiamento e garantir uma operação em total conformidade com a legislação. É um investimento na transparência, na credibilidade e na sustentabilidade do seu projeto.

Recomendamos vivamente que, no início de atividade e em cada etapa de evolução do seu negócio, dedique a devida atenção à análise e validação dos seus CAE. A consulta e o acompanhamento por parte de um contabilista certificado não é apenas uma boa prática, mas um passo essencial para assegurar que o seu "cartão de identidade" económico está sempre atualizado e otimizado para as suas necessidades. Não hesite em procurar aconselhamento especializado para garantir que o seu CAE trabalha a seu favor, impulsionando o crescimento e a rentabilidade da sua empresa.

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Fontes e Referências Legais

  • Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS)
    • Artigo 31.º (Regime Simplificado): Define os coeficientes aplicáveis para a determinação do rendimento tributável de profissionais independentes.
  • Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (CIRC)
    • Artigo 58.º-A (Regime Simplificado): Estabelece as regras para o apuramento da matéria coletável de empresas no regime simplificado.
  • Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA)
    • Artigo 9.º (Isenções nas operações internas): Detalha as isenções de IVA, incluindo as relativas a certas atividades de formação profissional (n.º 10).
    • Artigo 18.º (Taxas): Define as taxas de IVA aplicáveis (reduzida, intermédia e normal).
    • Artigo 53.º (Isenção a pequenos retalhistas e a outros sujeitos passivos): Estabelece o regime de isenção para empresas com volume de negócios reduzido.
  • Classificação Portuguesa de Atividades Económicas (CAE Rev.3)
    • Publicada pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e disponível para consulta no seu website oficial. É a base legal para a classificação das atividades económicas.
  • Estatuto dos Benefícios Fiscais (EBF)
    • Contém diversos regimes de benefícios fiscais que podem estar condicionados ao tipo de atividade exercida (CAE), como incentivos ao investimento ou à inovação.
  • Portaria n.º 40/2015, de 13 de fevereiro
    • Aprova a lista de atividades de alto valor acrescentado para efeitos do regime fiscal para residentes não habituais, onde o CAE é um critério de elegibilidade.
  • Legislação específica de licenciamento setorial
    • Exemplos: Regime Jurídico da Atividade de Alojamento Local (Decreto-Lei n.º 128/2014), Regulamento do Exercício da Atividade de Construção (Lei n.º 41/2015).

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CAE para compra e venda de imóveis e condomínios

O CAE 68100 — compra e venda de imóveis corresponde à atividade de compra e venda de bens imobiliários (aquisição de imóveis para revenda). Para o arrendamento de imóveis próprios usa-se o CAE 68200 (arrendamento de bens imobiliários).

Na administração de condomínios e na gestão de imóveis por conta de terceiros, o CAE adequado é o 68320 — gestão e administração da propriedade imobiliária; quando o serviço inclui limpeza e manutenção combinadas usa-se o 81100 — serviços combinados de apoio a edifícios. Escolher o CAE certo evita erros no enquadramento de IVA e na atividade declarada às Finanças.

Pontos-chave

  • O CAE é o código de 5 dígitos que identifica a atividade económica de uma empresa.
  • Determina o enquadramento fiscal, licenciamento e acesso a apoios.
  • Consulta-se no Portal das Finanças, Certidão Permanente ou comprovativo de atividade.
  • Cada empresa tem um CAE principal e pode ter secundários (ex.: 68100 = imobiliário).

FAQ

O que é o CAE de uma empresa?

É o código de 5 dígitos da Classificação Portuguesa de Atividades Económicas que identifica a atividade que a empresa exerce, usado pela AT, Segurança Social, INE e entidades de licenciamento.

Como saber o CAE de uma empresa?

No Portal das Finanças (situação cadastral), na Certidão Permanente ou no comprovativo de início de atividade. O contabilista certificado também o confirma.

O que é o CAE 68100?

O CAE 68100 corresponde à atividade de compra e venda de bens imobiliários, dentro da divisão 68 (atividades imobiliárias).

Posso ter mais do que um CAE?

Sim. Cada entidade tem um CAE principal e pode ter vários CAE secundários para as restantes atividades que exerce.

Posso mudar o CAE depois de abrir atividade?

Sim. O CAE altera-se através de uma declaração de alterações nas Finanças, normalmente tratada pelo contabilista quando a atividade muda.