Obrigações Fiscais: Calendário Anual Completo Para Empresas

Obrigações Fiscais: Calendário Anual Completo Para Empresas

Por Hugo Ribeiro, Contabilista Certificado · Membro da Ordem dos Contabilistas Certificados · HVR Business Consulting

Obrigações Fiscais de uma Empresa: O Guia Definitivo do Calendário Anual em Portugal

A gestão das obrigações fiscais de uma empresa em Portugal em 2026 exige o cumprimento de um calendário rigoroso, que inclui a entrega mensal do ficheiro SAF-T até ao dia 5, a Declaração Periódica de IVA (mensal ou trimestral) até ao dia 20 do mês relevante, e a submissão da declaração de IRC (Modelo 22) até 31 de maio. O incumprimento destes prazos resulta em coimas que podem ascender a dezenas de milhares de euros, impactando diretamente a saúde financeira da empresa.

Por Hugo Velez Ribeiro, Contabilista Certificado (OCC nº 64356) · 31/07/2026

A conformidade fiscal é um pilar fundamental para a sustentabilidade e sucesso de qualquer negócio em território português. O sistema tributário nacional, embora robusto, é caracterizado por uma multiplicidade de declarações, pagamentos e comunicações com prazos distintos ao longo do ano. Para um gestor ou empresário, dominar este calendário não é apenas uma obrigação legal, mas uma ferramenta estratégica de gestão que previne coimas, otimiza a tesouraria e assegura uma relação transparente com a Autoridade Tributária e Aduaneira (AT). Este guia detalhado serve como um roteiro exaustivo, cobrindo as principais obrigações fiscais mensais, trimestrais e anuais, desde o IVA e IRC à Segurança Social, para que a sua empresa possa navegar o ano fiscal de 2026 com confiança e rigor.

Obrigações Mensais: A Base da Conformidade Contínua

A rotina mensal constitui a espinha dorsal da conformidade fiscal de uma empresa. O cumprimento rigoroso destes prazos recorrentes é essencial para evitar a acumulação de coimas e juros de mora, mantendo a situação tributária da empresa regularizada. As duas obrigações mais críticas são a entrega da Declaração Periódica de IVA (para o regime mensal) e a submissão da Declaração Mensal de Remunerações (DMR).

Declaração Periódica de IVA (DP-IVA) - Regime Mensal

As empresas com um volume de negócios superior a 650.000€ no ano civil anterior, ou que optem por este regime, estão obrigadas à entrega mensal da DP-IVA. Esta declaração apura o imposto liquidado nas vendas e prestações de serviços e o imposto suportado nas aquisições, resultando num valor a pagar ao Estado ou num crédito a favor da empresa. O prazo para a submissão eletrónica da DP-IVA é até ao dia 20 do segundo mês seguinte ao das operações, conforme estipulado no Artigo 41.º do Código do IVA (CIVA). O pagamento correspondente deve ser efetuado até ao dia 25 do mesmo mês.

Caso Prático: Cálculo e Prazos de IVA Mensal

A empresa "Tecnologia Avançada, Lda.", enquadrada no regime mensal de IVA, realizou as seguintes operações em janeiro de 2026:

  • Vendas de produtos: 80.000€ + IVA a 23% = 18.400€ de IVA liquidado.
  • Aquisição de matérias-primas: 30.000€ + IVA a 23% = 6.900€ de IVA suportado e dedutível.
  • Despesas com eletricidade e comunicações: 2.000€ + IVA a 23% = 460€ de IVA suportado e dedutível.
O cálculo do imposto a entregar ao Estado é: IVA Liquidado - IVA Dedutível = 18.400€ - (6.900€ + 460€) = 11.040€. A empresa deverá submeter a DP-IVA de janeiro até 20 de março de 2026 e efetuar o pagamento de 11.040€ até 25 de março de 2026.

Declaração Mensal de Remunerações (DMR)

A DMR é uma declaração obrigatória para todas as entidades que pagam rendimentos do trabalho dependente. O seu propósito é comunicar à AT os rendimentos pagos, as retenções na fonte de IRS efetuadas e as contribuições para a Segurança Social (tanto da entidade empregadora como dos trabalhadores). O prazo para a sua entrega é até ao dia 10 do mês seguinte àquele a que os rendimentos dizem respeito. O pagamento das contribuições para a Segurança Social e a entrega do IRS retido ao Estado devem ser feitos até ao dia 20 desse mesmo mês. O incumprimento na entrega da DMR pode resultar em coimas que iniciam nos 250€, segundo o Regime Geral das Infrações Tributárias (RGIT).

Comunicação de Faturação: O Ficheiro SAF-T (PT)

A digitalização da administração fiscal portuguesa tornou a comunicação eletrónica de documentos um procedimento padrão e obrigatório. O ficheiro SAF-T (PT), acrónimo para Standard Audit File for Tax Purposes - Portuguese version, é a peça central deste sistema, sendo um ficheiro em formato XML que exporta um conjunto predefinido de dados de faturação de um sistema informático para a Autoridade Tributária.

A Natureza e o Prazo do SAF-T de Faturação

Todas as empresas com sede ou estabelecimento estável em Portugal que utilizem um programa de faturação certificado são obrigadas a comunicar mensalmente os elementos das faturas emitidas. Esta comunicação é feita através da submissão do ficheiro SAF-T (PT) no Portal e-fatura. A comunicação do ficheiro SAF-T(PT) relativo à faturação deve ser efetuada até ao dia 5 do mês seguinte ao da emissão dos documentos, de acordo com o Artigo 3.º do Decreto-Lei n.º 198/2012. Este prazo foi alterado recentemente e a sua observância é crítica. A falha ou atraso nesta comunicação é punível com coima que pode variar entre 200€ e 10.000€, dependendo do volume de negócios da empresa e do tempo de atraso.

Passo a Passo para uma Submissão Correta

  1. Extração do Ficheiro: No final de cada mês, o primeiro passo é gerar o ficheiro SAF-T (PT) a partir do software de faturação certificado pela AT. Este software deve garantir a integridade e a estrutura correta do ficheiro.
  2. Validação: Antes da submissão, é altamente recomendável utilizar a aplicação de validação da própria AT para verificar se o ficheiro não contém erros de estrutura ou de preenchimento que possam levar à sua rejeição.
  3. Submissão no Portal e-fatura: Aceder à área da empresa no Portal das Finanças, navegar até ao serviço e-fatura e submeter o ficheiro validado.
  4. Arquivo do Comprovativo: Após a submissão bem-sucedida, o portal gera um comprovativo. É fundamental guardar este documento digital como prova do cumprimento da obrigação.

Erros Comuns a Evitar

Um dos erros mais frequentes é a utilização de software não certificado, o que invalida qualquer comunicação. Outro erro comum é o preenchimento incorreto de dados dos clientes, como um NIF inválido, que causa a rejeição do ficheiro. É também crucial garantir que todos os documentos fiscalmente relevantes (faturas, faturas-recibo, notas de débito e de crédito) estão incluídos no ficheiro. Uma omissão, mesmo que involuntária, é considerada uma infração. Por exemplo, se uma empresa emite 200 faturas e 5 notas de crédito em abril de 2026, o SAF-T a submeter até 5 de maio de 2026 deve conter todos os 205 documentos. Esquecer as notas de crédito resultaria num ficheiro inconsistente com a contabilidade e sujeito a penalização.

Imposto sobre o Rendimento (IRC): Pagamentos e Declarações

O Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (IRC) é o tributo que incide sobre o lucro das empresas. A sua gestão desdobra-se em duas vertentes principais ao longo do ano: os pagamentos antecipados (Pagamentos por Conta e Pagamento Adicional por Conta) e a entrega da declaração anual de rendimentos (Modelo 22 e IES).

Pagamentos por Conta (PPC) de IRC

Os PPC são adiantamentos de imposto, calculados com base no IRC liquidado em anos anteriores, que visam aproximar a cobrança do imposto ao momento em que os lucros são gerados. Conforme o Artigo 104.º do Código do IRC (CIRC), estes pagamentos são devidos por empresas que apuraram lucro tributável no período de tributação anterior (n-2). Os prazos para estes pagamentos em 2026 são: 31 de julho, 30 de setembro e 15 de dezembro. O valor a pagar corresponde a 80% do IRC liquidado em n-2 para empresas com volume de negócios até 500.000€, e 95% para volumes de negócio superiores.

Caso Prático: Cálculo dos PPC

A empresa "Comércio Global, SA" teve, no seu período de tributação de 2024, um volume de negócios de 1.200.000€ e um IRC liquidado de 50.000€. Em 2026, terá de efetuar Pagamentos por Conta. O cálculo é o seguinte:

  • Base de cálculo: 50.000€ (IRC liquidado em 2024).
  • Percentagem aplicável (volume de negócios > 500.000€): 95%.
  • Valor total dos PPC para 2026: 50.000€ * 95% = 47.500€.
  • Valor de cada prestação: 47.500€ / 3 = 15.833,33€.
A empresa deverá pagar 15.833,33€ até 31 de julho, 15.833,33€ até 30 de setembro e 15.833,34€ até 15 de dezembro de 2026. É possível suspender o terceiro PPC se a empresa previr que os pagamentos já efetuados são suficientes para cobrir o IRC devido no final do ano.

As Declarações Anuais de IRC: Modelo 22 e IES

Após o encerramento do exercício, as empresas devem apurar o seu resultado fiscal e submeter as declarações anuais que formalizam este apuramento junto da AT e de outras entidades.

Declaração Periódica de Rendimentos Modelo 22

A Modelo 22 é a declaração central do IRC. É através dela que a empresa declara o seu lucro (ou prejuízo) fiscal, calcula o imposto devido e acerta contas com o Estado, deduzindo os Pagamentos por Conta e retenções na fonte já efetuadas. Para empresas com o período de tributação coincidente com o ano civil, o prazo de entrega da Modelo 22 é até 31 de maio do ano seguinte, conforme o Artigo 120.º do CIRC. O pagamento do IRC autoliquidado, caso exista, deve ser feito também até esta data.

Caso Prático: Do Resultado Contabilístico ao IRC

A empresa "Serviços Eficientes, Lda." encerrou o exercício de 2025 com um resultado contabilístico antes de impostos de 150.000€. Na análise fiscal, identificaram-se 10.000€ em multas e coimas (gastos não dedutíveis) e 5.000€ em provisões não aceites fiscalmente. O lucro tributável é calculado da seguinte forma:

  • Resultado Contabilístico: 150.000€
  • Correções Positivas (gastos não dedutíveis): 10.000€ + 5.000€ = 15.000€
  • Lucro Tributável: 150.000€ + 15.000€ = 165.000€
  • Coleta de IRC (taxa geral de 20% aplicável ao período de 2025 — art. 87.º, n.º 1, do CIRC, redação da Lei n.º 45-A/2024, de 31 de Dezembro; nos períodos iniciados em 2026 a taxa é 19%, art. 87.º do CIRC na redação da Lei n.º 64/2025, de 7 de Novembro, e art. 3.º, n.º 2, da mesma lei): 165.000€ * 20% = 33.000€
  • Derrama Municipal (ex: 1,5% sobre o lucro tributável): 165.000€ * 1,5% = 2.475€
  • IRC Total a pagar: 33.000€ + 2.475€ = 35.475€
Este cálculo será reportado na Modelo 22 a entregar até 31 de maio de 2026.

Informação Empresarial Simplificada (IES) / Declaração Anual

A IES é uma obrigação de reporte anual que simplifica a entrega de informação a diversas entidades. Instituída pelo Decreto-Lei n.º 8/2007, de 19 de janeiro, a IES agrega num único ato a entrega da declaração anual de informação contabilística e fiscal à AT, o registo da prestação de contas junto das conservatórias do registo comercial, e a entrega de informação estatística ao Instituto Nacional de Estatística (INE) e ao Banco de Portugal. A entrega da IES/Declaração Anual até 15 de julho é crucial, pois agrega as obrigações de depósito das contas anuais e declarações fiscais e estatísticas. A sua submissão é exclusivamente eletrónica e requer a assinatura de um Contabilista Certificado. A complexidade dos seus anexos (como o Anexo A para o balanço e demonstração de resultados, e os Anexos L a O para detalhar ativos, passivos, etc.) exige uma preparação cuidada e atempada, sendo um dos serviços centrais prestados por um gabinete de contabilidade.

Obrigações Trimestrais: O Regime de IVA para PMEs

Nem todas as empresas partilham a mesma periodicidade de obrigações. Para as pequenas e médias empresas (PMEs), o regime trimestral de IVA oferece uma cadência menos intensa, aliviando a carga administrativa mensal. Este regime é aplicável a empresas cujo volume de negócios no ano civil anterior não excedeu os 650.000€. A opção pelo regime mensal é, contudo, sempre possível.

Prazos e Funcionamento do Regime Trimestral de IVA

No regime trimestral, a Declaração Periódica de IVA (DP-IVA) é submetida quatro vezes por ano. Os prazos de entrega são desenhados para dar tempo suficiente para o apuramento dos valores após o fecho de cada trimestre. Empresas com volume de negócios inferior a 650.000€ podem enquadrar-se no regime trimestral de IVA, entregando a declaração até ao dia 20 do segundo mês seguinte ao trimestre. Os prazos de entrega e pagamento para 2026 são:

  • 1º Trimestre (Jan-Mar): Entrega até 20 de maio / Pagamento até 25 de maio.
  • 2º Trimestre (Abr-Jun): Entrega até 20 de agosto / Pagamento até 25 de agosto.
  • 3º Trimestre (Jul-Set): Entrega até 20 de novembro / Pagamento até 25 de novembro.
  • 4º Trimestre (Out-Dez): Entrega até 20 de fevereiro de 2027 / Pagamento até 25 de fevereiro de 2027.
É fundamental notar que o prazo referente ao último trimestre do ano transita para o ano seguinte.

Caso Prático: Gestão de IVA Trimestral

Uma startup de design gráfico, "Criatividade Ilimitada, Lda.", está no regime trimestral. No 2º trimestre de 2026 (abril a junho), registou os seguintes movimentos:

  • Faturação total de serviços: 60.000€ + IVA a 23% = 13.800€ de IVA liquidado.
  • Aquisição de software e licenças: 5.000€ + IVA a 23% = 1.150€ de IVA suportado.
  • Rendas do escritório: 3.000€ + IVA a 23% = 690€ de IVA suportado.
O apuramento do IVA para o 2º trimestre é: 13.800€ - (1.150€ + 690€) = 11.960€. A empresa terá de submeter a DP-IVA até 20 de agosto de 2026 e pagar os 11.960€ até 25 de agosto de 2026.

Erros Comuns no Regime Trimestral

Um erro comum é o controlo de tesouraria. Como o pagamento é mais espaçado, as empresas podem não provisionar adequadamente o valor do IVA a pagar, enfrentando dificuldades de liquidez no momento do prazo. Outra falha é não monitorizar o volume de negócios. Se uma empresa no regime trimestral ultrapassar o limite de 650.000€ durante o ano, fica obrigada a transitar para o regime mensal no ano seguinte, uma alteração que deve ser comunicada atempadamente à AT.

Outras Obrigações Anuais e Periódicas Relevantes

Para além do IRC e do IVA, o calendário fiscal de uma empresa está preenchido com outras obrigações igualmente importantes, que incidem sobre o património, os inventários e os pagamentos a entidades não residentes.

Comunicação de Inventários

As empresas com contabilidade organizada e que sejam obrigadas à elaboração de inventário devem comunicar à AT a valorização dos seus stocks reportada a 31 de dezembro do ano anterior. Esta comunicação é feita através de um ficheiro específico, cujo formato está definido pela AT. A comunicação de inventários, obrigatória para sujeitos passivos com contabilidade organizada, deve ser feita até 31 de janeiro, mesmo que não existam stocks. A obrigação mantém-se mesmo para empresas de serviços que, por natureza, não tenham existências; nestes casos, a comunicação deve ser feita declarando a ausência de stocks. A falha nesta comunicação está sujeita a coimas previstas no RGIT.

Imposto Municipal sobre Imóveis (IMI) e Adicional ao IMI (AIMI)

O IMI é um imposto municipal que incide sobre o Valor Patrimonial Tributário (VPT) dos imóveis. As taxas são fixadas anualmente por cada município. O pagamento é faseado consoante o valor:

  • Até 100€: Prestação única em maio.
  • Entre 100€ e 500€: Duas prestações, em maio e novembro.
  • Superior a 500€: Três prestações, em maio, agosto e novembro.
Para empresas que detenham imóveis com um VPT total superior a 600.000€, acresce o Adicional ao IMI (AIMI). A taxa para pessoas coletivas é de 0,4% sobre a soma dos VPTs, com uma liquidação e pagamento em setembro.

Caso Prático: Pagamento de IMI

Uma fábrica detém um pavilhão industrial com um VPT de 800.000€. A taxa de IMI do município é de 0,4%. O IMI anual a pagar é de 800.000€ * 0,4% = 3.200€. Como o valor é superior a 500€, será pago em três prestações de aproximadamente 1.066,67€ em maio, agosto e novembro de 2026.

Declaração Modelo 30 - Rendimentos Pagos a Não Residentes

Sempre que uma empresa portuguesa paga rendimentos a uma entidade não residente (juros, royalties, dividendos, serviços), está, em regra, obrigada a reter imposto na fonte. A Declaração Modelo 30 serve para declarar estes pagamentos e as retenções efetuadas. A Modelo 30 é obrigatória para pagamentos a não residentes e deve ser entregue até ao fim do segundo mês seguinte ao do pagamento, conforme o Artigo 128.º do CIRS e 119.º do CIRC. Por exemplo, o pagamento de um serviço a uma empresa espanhola em junho de 2026 obriga à entrega da Modelo 30 até 31 de agosto de 2026.

O Papel Estratégico do Contabilista Certificado

Num cenário fiscal tão denso e dinâmico, a figura do Contabilista Certificado (CC) transcende a de um mero executor de obrigações. O CC é um parceiro estratégico indispensável para a saúde e o crescimento de qualquer empresa. A sua intervenção não se limita ao preenchimento e submissão de declarações; abrange o aconselhamento, o planeamento e a otimização fiscal.

Garantia de Conformidade e Mitigação de Riscos

A principal função do CC é assegurar que a empresa cumpre todas as suas obrigações fiscais e contributivas dentro dos prazos legais. A assinatura de um Contabilista Certificado é obrigatória para a submissão da Declaração Modelo 22 e da IES, garantindo a fidedignidade da informação financeira e fiscal. Esta responsabilidade técnica, partilhada com o órgão de gestão da empresa, confere um selo de qualidade e fidedignidade à informação reportada à AT. Um CC qualificado está permanentemente atualizado sobre as alterações legislativas, interpretando-as e aplicando-as à realidade específica de cada cliente, mitigando assim o risco de coimas, juros compensatórios e processos de inspeção tributária. A escolha de um parceiro de contabilidade experiente é, por isso, uma decisão de gestão crítica. Para mais informações sobre como escolher o serviço certo, pode consultar as opções disponíveis em pacotes de serviços de contabilidade.

Planeamento e Otimização Fiscal

Para além da conformidade, um CC proativo atua como um consultor financeiro e fiscal. Através de uma análise rigorosa da atividade e dos resultados da empresa, o CC pode identificar oportunidades de otimização. Isto inclui:

  • Gestão dos Pagamentos por Conta: Aconselhar sobre a possibilidade de suspensão do terceiro PPC de IRC, melhorando a liquidez da empresa.
  • Aproveitamento de Benefícios Fiscais: Identificar a elegibilidade e apoiar a candidatura a regimes como o RFAI (Regime Fiscal de Apoio ao Investimento) ou o SIFIDE II (Sistema de Incentivos Fiscais à I&D Empresarial).
  • Estruturação de Operações: Aconselhar sobre a forma fiscalmente mais eficiente de realizar certas operações, como reestruturações societárias ou aquisições.
  • Análise de Gastos Ddedutíveis: Orientar a gestão sobre quais os gastos que são fiscalmente aceites, evitando correções negativas ao lucro tributável.
A colaboração contínua e transparente entre a gestão da empresa e o seu Contabilista Certificado transforma a contabilidade de uma obrigação num instrumento de criação de valor.

Resumo do Calendário Fiscal Anual (Checklist para 2026)

Para facilitar a visualização e o planeamento, apresentamos uma checklist simplificada com as principais obrigações fiscais ao longo do ano para uma empresa típica em Portugal.

Obrigações Mensais

  • Até ao dia 5: Comunicação do ficheiro SAF-T (PT) da faturação do mês anterior.
  • Até ao dia 10: Entrega da Declaração Mensal de Remunerações (DMR) do mês anterior.
  • Até ao dia 20: Pagamento das contribuições para a Segurança Social e do IRS retido na fonte (referente à DMR).
  • Até ao dia 20: Entrega da Declaração Periódica de IVA (regime mensal) do segundo mês anterior.
  • Até ao dia 25: Pagamento do IVA (regime mensal) do segundo mês anterior.

Obrigações Trimestrais (Regime de IVA Trimestral)

  • Até 20 de Maio: Entrega da DP-IVA do 1º Trimestre. (Pagamento até 25 de Maio)
  • Até 20 de Agosto: Entrega da DP-IVA do 2º Trimestre. (Pagamento até 25 de Agosto)
  • Até 20 de Novembro: Entrega da DP-IVA do 3º Trimestre. (Pagamento até 25 de Novembro)
  • Até 20 de Fevereiro (ano seguinte): Entrega da DP-IVA do 4º Trimestre. (Pagamento até 25 de Fevereiro)

Obrigações Anuais e Pontuais

  • Janeiro (até dia 31): Comunicação de Inventários valorizados a 31 de dezembro do ano anterior.
  • Fim do mês da matrícula: Pagamento do Imposto Único de Circulação (IUC).
  • Maio (até dia 31): Entrega da Declaração Modelo 22 de IRC do ano anterior e pagamento do imposto.
  • Maio: Pagamento da 1ª prestação do IMI ou pagamento integral.
  • Julho (até dia 15): Entrega da Informação Empresarial Simplificada (IES) do ano anterior.
  • Julho (até dia 31): Pagamento do 1º Pagamento por Conta (ou Adicional) de IRC.
  • Agosto: Pagamento da 2ª prestação do IMI.
  • Setembro (até dia 30): Pagamento do 2º Pagamento por Conta (ou Adicional) de IRC.
  • Setembro: Pagamento do Adicional ao IMI (AIMI), se aplicável.
  • Novembro: Pagamento da 3ª prestação do IMI.
  • Dezembro (até dia 15): Pagamento do 3º Pagamento por Conta (ou Adicional) de IRC.

Este calendário é uma ferramenta essencial, mas a sua aplicação prática pode variar consoante a especificidade de cada empresa, como o seu regime fiscal ou a existência de benefícios fiscais específicos como o regime do IFICI na Madeira. A consulta regular com um profissional de contabilidade é a forma mais segura de garantir a total conformidade.

Fontes e Referências Legais

  • Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas (CIRC) - Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-B/88, de 30 de novembro.
  • Código do Imposto sobre o Valor Acrescentado (CIVA) - Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 394-B/84, de 26 de dezembro.
  • Código do Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares (CIRS) - Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 442-A/88, de 30 de novembro.
  • Regime Geral das Infrações Tributárias (RGIT) - Aprovado pela Lei n.º 15/2001, de 5 de junho.
  • Decreto-Lei n.º 198/2012, de 24 de agosto - Estabelece as medidas de controlo da emissão de faturas e outros documentos com relevância fiscal, incluindo a obrigação de comunicação via SAF-T.
  • Decreto-Lei n.º 8/2007, de 19 de janeiro - Cria a Informação Empresarial Simplificada (IES).
  • Portaria n.º 60/2013, de 18 de fevereiro - Aprova a Declaração Mensal de Remunerações (DMR).
  • Código do Imposto Municipal sobre Imóveis (CIMI) - Aprovado pelo Decreto-Lei n.º 287/2003, de 12 de novembro.

Pontos-chave

  • O ficheiro SAF-T da faturação deve ser comunicado à AT até ao dia 5 de cada mês.
  • A Declaração Modelo 22 (IRC) tem de ser entregue até 31 de maio, com o pagamento do imposto devido.
  • A IES (Informação Empresarial Simplificada) deve ser submetida até 15 de julho, consolidando várias obrigações.
  • Os Pagamentos por Conta de IRC ocorrem em julho, setembro e dezembro.
  • A Declaração Mensal de Remunerações (DMR) tem o prazo de entrega até ao dia 10 do mês seguinte.
  • O IVA (regime mensal) é declarado até ao dia 20 e pago até ao dia 25 do segundo mês seguinte.
  • O incumprimento dos prazos fiscais resulta em coimas significativas e juros de mora.
  • A colaboração com um Contabilista Certificado é essencial para garantir a conformidade e otimização fiscal.

FAQ

Qual é o prazo mais curto e crítico a que uma empresa deve estar atenta mensalmente?

O prazo mais curto e crítico é a comunicação do ficheiro SAF-T da faturação, que deve ser submetido no Portal e-fatura até ao dia 5 do mês seguinte ao da emissão dos documentos. O seu incumprimento acarreta coimas elevadas.

O que acontece se a minha empresa falhar o prazo de entrega da Modelo 22?

A falha na entrega da Modelo 22 (declaração de IRC) dentro do prazo legal (31 de maio) resulta na aplicação de uma coima, que varia consoante a dimensão da empresa e o tempo de atraso. Adicionalmente, serão liquidados juros compensatórios sobre o imposto em falta.

A minha empresa não teve movimento num mês. Tenho de entregar a declaração de IVA?

Sim. Mesmo que não tenha havido operações (vendas ou compras) num determinado período, a empresa continua obrigada a submeter a Declaração Periódica de IVA dentro do prazo, assinalando a opção 'ausência de operações'. A obrigação de entrega mantém-se.

Como posso alterar o regime de IVA de trimestral para mensal?

A alteração do regime trimestral para o mensal pode ser efetuada através da entrega de uma declaração de alterações de atividade no Portal das Finanças. Esta alteração deve ser submetida durante o mês de janeiro do ano em que se pretende que produza efeitos.

O que é a IES e porque é tão importante?

A IES (Informação Empresarial Simplificada) é uma declaração anual que agrega, num único ato, a entrega de informação fiscal, contabilística e estatística a várias entidades (AT, INE, Banco de Portugal) e o registo da prestação de contas. A sua entrega até 15 de julho é fundamental para a conformidade legal da empresa.